O proprietário de um imóvel goza de modo pleno e exclusivo dos direitos de uso, fruição e disposição do imóvel, salvo excepções impostas pela lei (1). Neste sentido, não proibindo a lei a detenção de animais de companhia numa fracção autónoma, cabe ao proprietário de cada fracção, e não ao condomínio, decidir se deve ou não ter animais de companhia no seu imóvel.

A assembleia de condóminos só pode pronunciar-se sobre matérias que respeitem às partes comuns do prédio (2).

Quanto às restrições com carácter real, elas têm de resultar da lei ou do título constitutivo e, para serem impostas a terceiros, devem constar do registo predial (3). Só nestes casos, quando o regulamento do condomínio conste no título constitutivo da propriedade horizontal e nele se proíba a existência de animais nos apartamentos, é que esta vontade tem de ser respeitada.

Fora disso, a assembleia de condóminos não pode obrigar os condóminos a não possuírem animais, a não ser que haja acordo de todos (4). Esse acordo, porém, só vincula os seus intervenientes, sendo ineficaz quanto aos restantes (3).

 

Já no caso de estarmos perante o arrendamento de um apartamento, o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 21-11-2016, estipulou que:
“V – Os animais, não obstante considerados pelo nosso ordenamento jurídico como coisas (nos termos do artigo 202.º, n.º 1), fazem parte daquele tipo de propriedade a que tradicionalmente se chama propriedade pessoal, ou seja, propriedade de certos bens que estão ligados à auto-construção da personalidade, razão pela qual na sua actividade valorativa e coordenadora, o juiz tem de atender ao valor pessoalmente constitutivo que o animal possa ter para o seu dono.
VI – Por essa razão não deve o arrendatário pese embora a existência de cláusula contratual proibitiva, ser compelido à retirada de um canídeo do locado quando se prove que, além de não ser fonte de qualquer prejuízo para o sossego, a salubridade ou a segurança dos restantes moradores e do locador, reveste importância no seio da família e no bom desenvolvimento de um filho que tem perturbações de ansiedade devendo, nestes casos, a referida cláusula considerar-se não escrita.”

 

Fontes:
(1) Código Civil, artigo 1305º
(2) http://www.stj.pt/jurisprudencia/basedados, Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 20-11-1980, processo n.º 068790, com referência de publicação BMJ N301 ANO1980 PAG418
(3) Código Civil Anotado III, Pires de Lima e Antunes Varela, pág. 366
(4) Código Civil, artigo 1422º, n.º 2, alínea d)

 

caoapartamento

25 Respostas até agora.

  1. Cláudia Sousa diz:

    Olá!
    Mudei recentemente para um apartamento e à data de assinatura do contrato informei a senhoria que no meu agregado faziam parte um pastor alemão e uma boxer! A senhora não colocou entraves desde que os animais não perturbassem o descanso dos vizinhos. A única altura em que se nota que tenho cães é quando chego a casa (mas não ladram) e aconteceu ladrar quando a minha mãe entrou em minha casa e eles não a reconheceram! Levantam me o problema do porte, que chega a ser ridículo pois são cães extremamente meigos e dóceis. Têm obediência básica! Apenas querem o carinho e atenção de seu dono (eu)! Têm vacinação e documentação em ordem! Vão à rua inúmeras vezes por dia! Poderei ter problemas com vizinhos ou condomínio? Obrigada

    • vidanimal diz:

      Nos prédios urbanos podem ser alojados até três cães ou quatro gatos adultos por cada fogo, não podendo no total ser excedido o número de quatro animais.
      E é indiferente o tamanho do animal.
      Assim, e dado que a sua situação está perfeitamente enquadrada na lei vigente, seguramente não terá problemas com os vizinhos ou com a administração de condomínio.

  2. Ricardo Gomes diz:

    Boas…venho por este meio pedir um esclarecimento…acabei de receber uma carta do condomínio onde ameaçam chamar as autoridades policias por causa do latir/ladrar do meu cão….é um animal de porte pequeno que eu adotei para minha filha bebe…no restante bloco habitacional há uma grande variedade de moradores com cão/gatos e não foram intimidados pelo condomínio…mencionam que o meu animal fica fechado na varanda, pois, mais uma mentira….
    Que devo fazer???
    obrigado

    • vidanimal diz:

      Boa tarde,

      Segundo a nossa experiência, um animal que é bem alimentado e bem tratado, com todo o amor, carinho e a atenção de que necessita, é calmo e não está sempre a ladrar.
      Sendo esse o caso, então deverá ficar tranquilo pois está a cuidar do seu companheiro não humano da melhor forma possível.

  3. Paulo diz:

    Bom dia,uma questão o condomínio tem autoridade para pedir o boletim de vacinas e respectivo chip do cão para.por em acta?obrigado

  4. Maria diz:

    Pode o condômino proibir a entrada de animais só de visita ? Isto e, a minha filha mora num apartamento e eu não posso lá entrar com a minha cadela, dizem que o condomínio não permite. O condomínio pode fazer isso?

  5. Viviane Souza diz:

    Boa tarde!
    Eu, meu marido e o nosso cãozinho nos mudamos recentemente para um apartamento arrendado, o senhorio não nos informou acerca de nenhuma proibição de animais, nem no apartamento, nem no condomínio, e também não consta nada no contrato, também temos conhecimento de que um vizinho possuí dois gatos. Mas recebemos um aviso que não era permitido ter o cão por que é uma regra do condomínio, apresentaram nos duas alternativas, ou vamos embora ou desfazemos do cão. As duas são inconcebíveis para nós. O que podemos fazer neste caso?

  6. Alcides Brinca diz:

    Boa tarde
    tenho um vizinho que tem um cão numa varanda do apartamento
    passa toda a noite a ladrar não deixa descansar as pessoas , e ha pessoas que trabalham em serviços de muita responsabilidade (laboratório de analises no hospital) de noite ainda pior .
    o que se tem que fazer para parar com este barulho do cão?

    • vidanimal diz:

      De facto, nenhum cão deve ficar preso numa varanda. Precisam de companhia, amor e carinho.
      O que poderá fazer é reportar a situação dos maus tratos às autoridades competentes: Câmara Municipal (médico veterinário municipal) e SEPNA.

  7. Cláudia Vieira diz:

    Olá,

    Estou-me a deparar com uma situação nada agradável.
    Tenho um contrato de arrendamento de 5anos e o mesmo tem uma cláusula a dizer que não posso ter animais de estimação.,
    A questão é que tenho uma gata de pequeno porte extremamente meiga e sossegada, e o meu Senhorio agora descobriu e quer que arranje um sitio para a gata, associação ou outro dono .

    Óbvio que isto não vai acontecer até porque outras pessoas no prédio têm animais apenas usufruem de outro contrato de arrendamento.

    Ele pode-me expulsar de casa?
    Ele pode obrigar-me a dar a gata?

    Há alguma maneira de conseguir ultrapassar isto?

    • vidanimal diz:

      O senhorio obviamente não a pode obrigar a separar-se da sua gata. O que pode fazer é recorrer a Tribunal, onde essa questão poderá ser discutida.

      Num caso idêntico, que chegou a tribunal, o coletivo de juízes deu razão aos detentores do animal:
      “Por essa razão não deve o arrendatário pese embora a existência de cláusula contratual proibitiva, ser compelido à retirada de um canídeo do locado quando se prove que, além de não ser fonte de qualquer prejuízo para o sossego, a salubridade ou a segurança dos restantes moradores e do locador, reveste importância no seio da família e no bom desenvolvimento de um filho que tem perturbações de ansiedade devendo, nestes casos, a referida cláusula considerar-se não escrita.”

  8. maria diz:

    A minha vizinha de cima tem dois cachorros, a minha varanda esta sempre suja de urina e pelos, já foi chamada a atenção, e continua na mesma. Oque devo fazer?

  9. Maria Lucas diz:

    Boa noite, vivo num apartamento e não tenho animais por opção.

    Penso que os animais, se são de companhia não se devem deixar fechados em casa, por tempo indeterminado sem o mínimo de atenção, que é o que acontece a um cão que vive num andar por cima do meu, quarto.
    A dona tem ausências muito prolongadas fora de casa, e o cão ladra constantemente na varanda, seja de noite ou de dia feriados e fins de semana.
    Já fui falar com a senhora, mas diz-me que não pode fazer nada.
    Esta situação está prejudicar o meu descanso físico e psicológico.
    O que devo fazer?

  10. Vânia neves diz:

    Olá muito bom dia, eu tenho um cãozinho, queria saber se o cãozinho não pode ir a rua não fazendo nada de necessidades dentro de casa, e que eu tenho aqui um senhor que anda a proibir o animal andar no elevador, eu pretendia saber se o animal pode ou não andar no elevador ou até na escadaria sendo o animal limpo por ele e que não perturba ninguém nem ladra. Respondam para o meu email: vanianeves_55@hotmail.com preciso da resposta urgente.

  11. Tiago martins diz:

    Eu tenho um problema que no meu contrato de casa nao posso ter animais, e tenho 1 cãozinho e ja entrei em conflitos com o meu senhorio, queria saber se ele pode retirar o aninal do apartamento
    É um apartamento alugado, sem mobilia e nas outras 3 casas do predio tanbem nao podem ter animais

    • vidanimal diz:

      O senhorio não pode retirar o animal. O que pode fazer é recorrer a Tribunal, onde essa questão poderá ser discutida.

      Num caso idêntico, que chegou a tribunal, o coletivo de juízes deu razão aos detentores do animal:
      “Por essa razão não deve o arrendatário pese embora a existência de cláusula contratual proibitiva, ser compelido à retirada de um canídeo do locado quando se prove que, além de não ser fonte de qualquer prejuízo para o sossego, a salubridade ou a segurança dos restantes moradores e do locador, reveste importância no seio da família e no bom desenvolvimento de um filho que tem perturbações de ansiedade devendo, nestes casos, a referida cláusula considerar-se não escrita.”

    • Jorge diz:

      Artigo 19.º
      Normas para a recolha, captura e abate compulsivo
      1 – Compete às câmaras municipais a recolha, a captura e o abate compulsivo de animais de companhia, sempre que seja indispensável, muito em especial por razões de saúde pública, de segurança e de tranquilidade de pessoas e de outros animais, e, ainda, de segurança de bens, sem prejuízo das competências e das determinações emanadas da DGAV nessa matéria.

  12. Andreia Teixeira diz:

    Neste momento ando à procura de um apartamento para alugar. Há 2 semanas fui ver um imóvel que me agradou bastante, contudo disseram-me que não permitiam animais. Eu tenho uma cadela e, como é óbvio, tem que viver comigo, pois faz parte da família. Pelo que apurei através do agente imobiliário onde está o imóvel, o dono do apartamento não permite animais, mesmo às pessoas que compraram apartamentos. Isto é mesmo permitido? Mesmo estando em acta (não sei se está)? Sei que já permitiram no passado, mas como houve moradores que começaram a colocar cães de porte grande dentro dos apartamentos, decidiram proibir. O que quero saber é se realmente podem proibir.

    • vidanimal diz:

      Olá Andreia Teixeira,

      Pf consulte este recente Acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 21-11-2016.
      Foi um caso idêntico, que chegou a tribunal, e onde o coletivo de juízes deu razão aos detentores do animal.

      “Por essa razão não deve o arrendatário pese embora a existência de cláusula contratual proibitiva, ser compelido à retirada de um canídeo do locado quando se prove que, além de não ser fonte de qualquer prejuízo para o sossego, a salubridade ou a segurança dos restantes moradores e do locador, reveste importância no seio da família e no bom desenvolvimento de um filho que tem perturbações de ansiedade devendo, nestes casos, a referida cláusula considerar-se não escrita.”

  13. Si Ayres diz:

    Minha dúvida é sobre a colocação de redes de proteção nas janelas e varandas. Além de serem amoviveis previnem também quedas de crianças e idosos com demência. Pode a estética prevalecer à segurança?

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