Os carneiros que choram como bebés

Por Jorge Ribeiro

Recentemente, o Jornal i publicou um curto artigo sobre a realidade do matadouro de Santarém. É um matadouro onde diariamente são tiradas as vidas a centenas de vacas e ovelhas. Que nada fizeram para o merecer.

O artigo começa logo por referir que não é indicado “a mentes sensíveis”. Esta é uma advertência que costuma surgir sempre que é mostrado algo violento. E é o caso. Como é facilmente compreensível, o ato de matar um animal é um ato violento e não natural. Aliás, esta constatação é corroborada pelas palavras de um funcionário, que afirma que “ninguém se orgulha de trabalhar aqui”. Ou seja, apenas trabalham lá porque precisam daquela fonte de rendimento para alimentar as respetivas famílias. “Isto não é fácil, mas tenho filhos para criar”, desabafa outro funcionário.

”No início fazia-me impressão matar os animais, coitados, mas passados 20 anos nisto já me é igual ao litro”, declara outro funcionário, confirmando a ideia de que é violento e não natural o ato de matar um animal. Ato este apenas tolerável após se tornar rotina, o que provoca a consequente insensibilização do funcionário.

Por fim P., que trabalha há nove meses no matadouro, refere que “o que mais me custa é ouvir o choro dos borregos antes de morrerem. Parecem bebés autênticos”.

Qualquer pessoa que tenha a coragem de soltar as amarras e pensar de uma forma completamente livre e sem preconceitos, rapidamente perceberá o óbvio: que é errado comermos animais. Absolutamente errado. Sem nenhum “se” nem nenhum “mas”.
Esta prática bem presente na nossa atual sociedade, de matarmos diariamente milhões e milhões de animais para depois os comermos, é uma prática primitiva, violenta e bárbara. E completamente desnecessária. Pois não temos nenhuma necessidade de o fazer. É eticamente errado. E até economicamente é um disparate.

Por isso está na hora de evoluirmos. Está na hora de fazermos o que é correto. Está na hora de deixarmos de comer animais.

 

borrego

3 Respostas até agora.

  1. Romana Preto diz:

    Nasci numa família que sempre pensou assim.
    Tenho 23 anos e sou já a 3ª geração que nasceu e nunca provou carne ou peixe.
    As minhas análises estão sempre óptimas e os médicos disseram que fui o bebé mais robusto e mais saudável que nasceu naquele mês.
    O meu sistema imunitário é brutal, curo uma gripe em 48h sem rigorosamente medicamento nenhum – decidi recusar qualquer tipo de químico há 6 anos – e já houve uma altura em que fui mordida por um animal na mão e a infecção ficou de tal forma em poucas horas que a única solução seria levar uma injecção de penicilina o mais rápido possível, mas optei por tomar apenas óleo de oregãos e aplicar óleo de malaleuca na mão e no dia seguinte fiquei boa.
    Não sei o que é azia, nunca soube.
    Sempre vi durante a minha vida toda uma diferença brutal em contas de supermercado e restaurante dos meus pais e dos amigos “carnívoros”. O valor que gastavam numa semana, gastavamos nós o mês inteiro e não há nenhum que não tenha um problema de colesterol ou diabetes, ou isto ou aquilo, assim como poucos têm um peso normal e não acima do indicado.
    Acho curioso as pessoas perguntarem-me “então, se não comes carne, comes o quê?!” enquanto os vegetais que conhecem se limitarem a alfaces, couves, cenouras, ervilhas e batatas e eu ter plantado mais de 40 espécies diferentes na minha horta urbana e ter pena de não ter espaço para plantar mais!
    Quando se procura uma alternativa a um hábito comum, é necessária a curiosidade para se explorar novas formas, novas técnicas, e no caso, novos sabores, novas combinações, o que nos leva a um exercício mais criativo do que limitarmo-nos a comer o que nos põem à frente.
    A minha mãe tem galinhas que adoram beijinhos e lá em casa temos duas cabritas que adoram andar de carro, brincar e fazerem-se de engraçadas assim que nos veêm.
    Sabemos exactamente que cada animal, assim como cada pessoa (também animal) é único e tem os seus próprios gostos e ritmos, a sua própria personalidade, os seus próprios medos e preocupações, assim como têm um local favorito para dormir ou uma mania teimosa qualquer como atirar tudo o que está nas mesas para o chão (gatos…)
    Não consigo vê-los como comida, simplesmente porque não são comida.
    Toda a gente se choca com o canibalismo, é assim tão diferente de comer um borrego ou um coelho? “Ah! Mas os animais não pensam…” Os bebés também não têm uma capacidade de raciocínio muito fantástica…Os corvos criam jogos com pedrinhas e objectos que apanham para seu próprio divertimento…Os ratos sonham em imagens e em alturas de perigo põem muitas vezes a própria vida em risco para ajudar outros ratos, mesmo que lhes sejam estranhos…As orcas criam estratégias de caça em grupo e têm um sistema de comunicação que ainda nem percebemos bem…As andorinhas encontram-se todas no mesmo sítio, à mesma hora para emigrarem todas juntas…Qualquer mãe animal põe sempre as suas crias em primeiro lugar, cria-as e educa-as para que sejam fortes, independentes e autónomas. As mães humanas têm tendência em despejar as suas em infantários e escolas até que não se reconheçam mais e e se tornem jovens adultos sem capacidade nenhuma…
    Temos muitos a aprender com eles.
    E a em destruí-los não aprendemos nada.

  2. Angélica Damião diz:

    Tomei essa consciencia há 7 anos.
    Tenho pena de não ter sido mais cedo .